Em visita ao São Paulo, Bruno se encontrou com Rogério CeniFoto: Ricardo Matsukawa/Terra
Até que ponto um acidente de carro, a perda de amigos e da promissora carreira pode colocar fim ao sonho de um jovem de 20 anos? No caso de Bruno Landgraf das Neves, a resposta é simples: não pode. O sonho não acabou, passou por adaptações. Antes, a meta era a medalha olímpica no futebol nos Jogos de Pequim, em 2008. Agora, não mais na grama, e sim na água, o triunfo paraolímpico em Londres, em 2012, norteia os caminhos do ex-goleiro. Do mais novo velejador.
Bruno era considerado o melhor entre os diversos candidatos a suceder Rogério Ceni no gol do São Paulo até agosto de 2006. Um grave acidente automobilístico matou o colega de posição e clube Weverson e a amiga Natália Lane, jogadora de vôlei. Bruno, o motorista, passou oito meses e 12 dias internado.
Depois de quatro anos, a clausura das paredes do quarto se transformou na indescritível sensação de liberdade. Desde 2009, o rapaz de 24 anos veleja duas vezes por semana no clube da Associação dos Servidores do Banco Central (ASBAC), localizado na represa de Guarapiranga, Região Metropolitana de São Paulo.
Acompanhado do pai, Luiz, Bruno procurou o ASBAC e a primeira vez deu aos integrantes do clube a quase certeza de que não haveria outra. O dia estava feio, a chuva batia contra seu corpo e a ausência de movimento de tronco tornava necessária a presença de alguém que servisse como suporte no barco adaptado.
O ex-goleiro não se assustou. A rigorosa preparação física deu a Bruno condição para superar as dificuldades e se tornar aposta da equipe para o Mundial Paraolímpico de 2011, que valerá uma vaga nos Jogos de Londres de 2012.
"No início, ele não aguentava mais de cinco minutos com o leme, perdia a mão com um vento mais forte. Hoje ele faz regatas de duas horas sozinho. Seu nível técnico surpreende a todos", elogiou Vitor Hugo, técnico angolano há 11 anos no Brasil.
Bruno precisa da ajuda de equipe e pai quando sai da cadeira de rodas para o barco. Lá dentro, é o capitão. O timoneiro. É ele quem decide os rumos do novo veículo de trabalho.
"Aqui tenho mais liberdade. Os treinos, de goleiro e vela, são muito puxados. Mas, mesmo competindo, é uma relação com a natureza", disse Bruno, que faz brincadeiras com seus colegas.
"A gente pede para o outro ir correndo pegar alguma coisa (risos). Quem vê pensa que somos maldosos, mas as pessoas têm receio de falar, perguntar. Assim levamos a vida melhor. Estamos no mesmo barco", explicou.
A expressão de paz de Bruno ao velejar não indica os obstáculos superados nos últimos anos. E nem os que ainda serão superados. Mas indica que o jovem não precisa de medalhas para se considerar vencedor.
Disponível em http://esportes.terra.com.br/noticias/0,,OI4813423-EI1137,00-Tetraplegico+exgoleiro+do+Sao+Paulo+encontra+rumo+na+vela.html
Bruno era considerado o melhor entre os diversos candidatos a suceder Rogério Ceni no gol do São Paulo até agosto de 2006. Um grave acidente automobilístico matou o colega de posição e clube Weverson e a amiga Natália Lane, jogadora de vôlei. Bruno, o motorista, passou oito meses e 12 dias internado.
Depois de quatro anos, a clausura das paredes do quarto se transformou na indescritível sensação de liberdade. Desde 2009, o rapaz de 24 anos veleja duas vezes por semana no clube da Associação dos Servidores do Banco Central (ASBAC), localizado na represa de Guarapiranga, Região Metropolitana de São Paulo.
Acompanhado do pai, Luiz, Bruno procurou o ASBAC e a primeira vez deu aos integrantes do clube a quase certeza de que não haveria outra. O dia estava feio, a chuva batia contra seu corpo e a ausência de movimento de tronco tornava necessária a presença de alguém que servisse como suporte no barco adaptado.
O ex-goleiro não se assustou. A rigorosa preparação física deu a Bruno condição para superar as dificuldades e se tornar aposta da equipe para o Mundial Paraolímpico de 2011, que valerá uma vaga nos Jogos de Londres de 2012.
"No início, ele não aguentava mais de cinco minutos com o leme, perdia a mão com um vento mais forte. Hoje ele faz regatas de duas horas sozinho. Seu nível técnico surpreende a todos", elogiou Vitor Hugo, técnico angolano há 11 anos no Brasil.
Bruno precisa da ajuda de equipe e pai quando sai da cadeira de rodas para o barco. Lá dentro, é o capitão. O timoneiro. É ele quem decide os rumos do novo veículo de trabalho.
"Aqui tenho mais liberdade. Os treinos, de goleiro e vela, são muito puxados. Mas, mesmo competindo, é uma relação com a natureza", disse Bruno, que faz brincadeiras com seus colegas.
"A gente pede para o outro ir correndo pegar alguma coisa (risos). Quem vê pensa que somos maldosos, mas as pessoas têm receio de falar, perguntar. Assim levamos a vida melhor. Estamos no mesmo barco", explicou.
A expressão de paz de Bruno ao velejar não indica os obstáculos superados nos últimos anos. E nem os que ainda serão superados. Mas indica que o jovem não precisa de medalhas para se considerar vencedor.
Disponível em http://esportes.terra.com.br/noticias/0,,OI4813423-EI1137,00-Tetraplegico+exgoleiro+do+Sao+Paulo+encontra+rumo+na+vela.html











